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Campanha 2025

2025

Interrompidos em 2024, pela partida trágica de Andrea Martins, os trabalhos de campo do projecto Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio – VNSP3000, coordenados por Mariana Diniz, César Neves e José Morais Arnaud foram retomados em de Julho de 2025, na 7º campanha de escavações realizada, no âmbito deste projecto de investigação, neste povoado calcolítico.

Entre os dias 30 de junho e 18 de julho, uma equipa alargada que reuniu actuais e antigos estudantes de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento em Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e também da Universidade de Évora, participou nas diferentes actividades programadas para esta campanha que contou com o apoio da UNIARQ, da Associação dos Arqueólogos Portugueses, da Câmara Municipal da Azambuja, da União de Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de S. Pedro e Maçussa e do Património Cultural, IP.

Os trabalhos de escavação incidiram sobre dois troços da “2ª” Linha de Muralha – estrutura pétrea muito robusta e de construção complexa – que desenha também na sua área Sul um possível bastião oco, anteriormente não documentado, e sobre a estrutura de talude/contraforte que apoia/monumentaliza a face exterior desta linha de muralha, permitindo uma documentação em diferentes suportes – desenho analógico, fotogrametria, registo 3D – dos processos construtivos destes aparelhos pétreos, ao mesmo tempo que a recolha de restos faunísticos em contextos preservados permitirá datar sucessivos episódios de construção e de derrubes que afectaram estas estruturas. Foi também aberta uma área de escavação entre a “2ª” Linha de Muralha e o “Reduto Central” que veio a revelar a existência de um grande muro perpendicular a estas muralhas, compartimentando os espaços, como se verifica em outros povoados fortificados da Estremadura calcolítica.

Outras actividades foram levadas a cabo nesta campanha:

  • Prospecção geo-arqueológica na bacia de Rio Maior, dirigida por Patrícia Jordão, investigadora e colaboradora do projecto;
  • Na área da Arqueologia Experimental, a produção, por Pedro Cura, de instrumentos de pedra polida sobre anfibolito destinados à experimentação controlada em trabalho de madeira, pedra e terra;
  • Início da rospeção geofísica de alguns sectores-chave do povoado de Vila Nova de São Pedro, realizada pela Morph e GeoAviz;

Como tem sido prática, desde 2017, o Dia Aberto em Vila Nova de São Pedro termina com um jantar pré-histórico, confecionado pela Pre&Historic Skills e oferecido pela Autarquia, para qual estão convidados todos os que visitaram o povoado calcolítico. Esta festa, um momento sempre de grande alegria pelo entusiasmo com que a população local, agora em franca renovação, recebe as equipas de Arqueologia ficou também marcado pelo, imensamente comovente, descerrar de um monumento, erigido pela União das Juntas de Freguesia de Manique do Intendente, Vila Nova de S. Pedro e Maçussa, em memória de Andrea Martins que agora dá o seu nome ao Pátio, onde nos reunimos  sempre para comemorar mais um ano de escavações. 

Os dados referentes a esta intervenção arqueológica encontrar-se-ão descritos no Relatório do PATA, entregue à tutela.